Tudo sobre o Fundo de Emergência

O fundo de emergência é algo que todos devemos ter. Quem já leu alguma coisa sobre o tema finanças pessoais, sabe a importância de um fundo de emergência e sabe que é a prioridade número um. Neste artigo vamos saber o que é, quando usar, onde guardar entre outras coisas.

O que é um Fundo de Emergência?

É uma quantia de dinheiro disponível para alguma emergência ou um imprevisto. Sem antes ter um fundo de emergência não é sequer muito boa ideia investir. Para mim o fundo de emergência significa segurança e ter um plano B. O ideal é ter um montante de cerca de seis meses das tuas despesas. Ou seja, que durante seis meses ou mais consigas sobreviver sem que te entre dinheiro na conta.

Este fundo está normalmente associado a imprevistos como perder o emprego, um problema de saúde, que te impossibilita de trabalhar e obter rendimento. Mas na minha opinião também podemos usar o fundo de emergência para oportunidades!

Quando usar?

Como referi acima, na minha opinião deve-se usar para imprevistos, sejam eles maus ou bons. Se houver alguma oportunidade de investimento imperdível, a meu ver faz todo o sentido usar o fundo de emergência, se não tivemos outra possibilidade. Claro que depois de o gastarmos torna-se prioritário repô-lo.

A verdade é que isto para mim também é uma questão de mindset. Eu ganho muito mais motivação em pôr dinheiro de lado, sabendo que pode me desenrascar para uma oportunidade, do que para uma desgraça. Porque vamos ser sinceros, ninguém gosta de ter que juntar dinheiro para um fundo de emergência. Aquilo dificilmente nos vais dar retorno (juros). E é um montante significativo que não podemos mexer…

Quanto precisas?

Para poder calcular o valor que precisas, tens primeiro de ter uma noção das tuas despesas. E aqui não precisas de incluir todos os luxos e mais alguns que estás habituado. Pelo menos a meu ver, se acontecer precisares de “sobreviver” sem rendimento, vais reduzir custos, não é verdade… Não vais continuar a gastar dinheiro em coisas que normalmente não gastarias, ou jantar fora constantemente.

Ou seja, pega nos gastos mais essenciais que tens, que não consegues mesmo evitar ter. Se não tens ideia das tuas despesas, a minha sugestão é durante os próximos tempos apontar todos os teus gastos, para depois teres uma noção realista. Outra coisa importante a ter em conta são grandes oscilações no orçamento. Por exemplo, se pensares em mudar de país, os gastos vão ser outros. Ou se estiver nos planos ter um filho, isso vai mudar as tuas despesas. A mesma coisa com a inflação. O teu poder de compra vai diminuir no futuro, por isso, tem em conta isso. Depois de teres o valor das despesas mensais é só multiplicar o valor a que chegaste por seis.

Onde guardar o Fundo de Emergência?

Aqui temos de ver caso a caso. Há pessoas que preferem guardar um sítio sem terem acesso, para não cair na tentação de gastar o dinheiro. É importante nos conhecermos bem e acho que não tem mal nenhum fazer isso.

Fundamental é que este montante não esteja aplicado num produto financeiro que nos faça perder liquidez, ou seja onde depois não possas retirar de lá o dinheiro. Uma das características do fundo de emergência é que o mesmo tem que esteja disponível sempre. Mas não debaixo do colchão, ok? Aqui a ideia é tentar encontrar um produto onde o capital esteja garantido, onde possas resgatar o dinheiro a qualquer altura e sem custos associados. E atenção, não precisa de estar tudo no mesmo sítio!

Depósito a Prazo

Uma opção seria colocar o fundo de emergência, ou parte dele num depósito a prazo. Não escolhas é um que não permita a mobilização antecipada. Um contra dos depósitos a prazo, é que quase todos os bancos estão a remunerar abaixo da inflação prevista. Se a inflação for de 1,5%, e os depósitos não estarem nem perto de 1%, vamos estar definitivamente a perder. Portanto, ver qual é a melhor opção e estar sempre atento ao mercado, porque pode aparecer algo melhor e aí vale a pena mudar.

Certificado de Aforro

Podes também guardar o fundo de emergência num Certificado de Aforro, ou seja, títulos de dívida pública. Mas atenção que nos primeiros meses não podes resgatar o capital, por isso tens de ter pelo menos outra parte do fundo de emergência disponível imediatamente. Aqui as rentabilidades são bastante baixas, sendo que a taxa depende da evolução da Euribor. A rentabilidade acaba por ser parecido aquilo que conseguimos nos depósitos a prazo.

Certificados de Tesouro

Outra opção, mas também não ideal, porque o resgate só é possível 12 meses depois da subscrição, são os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento. Isto são títulos da dívida pública de médio e longo prazo, com uma taxa fixa garantida. Essa é uma vantagem: tenho ideia que garantem uma taxa média anual de 1%, e a partir do segundo ano, os juros são acrescidos de um prémio em função do crescimento do PIB. Mas lá está, só dá para resgatar 12 meses depois da subscrição.

Diversificação do teu Fundo de Emergência

A diversificação do nosso capital aplica-se não só nos investimentos mas também nas poupanças. O ideal é mesmo dividir o montante do fundo de emergência por vários produtos financeiros. A verdade é que eu própria também ainda não encontrei a forma ideal de guardar o meu fundo de emergência, por isso sugestões são muito bem vindas. Partilhem as vossas estratégias nos comentários para todos podermos tirar ideias.

10 comentários

  1. Ola Ella,

    Parabéns pelo teu trabalho do blog, efectivamente falta muito conteudo em portugues sobre a independencia financeira!
    Ja ouviste falar sobre o ibanwallet? O fundo de emergencia poderia esta alocado a esse tipo investimentos que achas?

    Desejo-te boas festas e desculpa pela falta de acentos… é o que dá escrever num teclado estrangeiro ?

    • Olá Filipe, obrigada pelo feedback 🙂 Não! Vou analisar e depois darei a minha opinião. Obrigada pela sugestão. Boas entradas!

  2. Ola Ella,

    Parabéns pelo teu trabalho do blog, efectivamente falta muito conteudo em portugues sobre a independencia financeira!
    Ja ouviste falar sobre o ibanwallet? O fundo de emergencia poderia esta alocado a esse tipo investimentos que achas?

    Desejo-te boas festas e desculpa pela falta de acentos… é o que dá escrever num teclado estrangeiro ?

  3. Grata pela partilha de conteúdos de grande qualidade.?
    Quanto ao fundo de emergência qual opinião acerca da plataforma Raize…

    • Olá Elisabete! Obrigada pelo feedback 🙂 Esse tipo de plataformas têm um risco mais elevado associado e nem sempre garantem liquidez (é preciso ver caso a caso), por isso não é uma boa opção para o fundo de emergência, na minha opinião.

  4. Olá
    estou a gostar muito do teu blog. Passas a informação de maneira muito simplista e isso é muito bom. Falo por mim quando pesquiso sobre o mundo de finanças muitas vezes perco me.
    Estas a fazer um bom trabalho 😉

  5. Olá Ella,
    Parabéns pelo trabalho. Estou a começar o meu percurso financeiro e o teu canal tem sido um dos pilares nesta introdução.
    Na parte “Onde guardar o Fundo de Emergência” falaste dos Depósito a prazo, Certificado de Aforro e Certificados do Tesouro. E quanto aos PPR (Planos Poupança Reforma)? Muitos permitem fazer face a situações de necessidade. Qual é a tua opinião?

    • olá Fábio! Muito obrigada! Poderá ser uma opção se conseguires garantir liquidez, ou seja, retirar o montante sempre que quiseres.

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